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Na amplitude noturna meus pensamentos vagam em busca de entendimento,
na busca incessante por entender este mundo que me cerca e as pessoas à minha volta.
Na imensidão do vasto dia, vivo a observar as pessoas e seus comportamentos amorosos e desumanos;
de passadas rápidas e sombrias ou calorosas, com seu raro: “Bom dia”.
E assim sigo vivendo, percebendo, acreditando e desacreditando na capacidade de um mundo melhor.
(Fê_Notável)

Endomingada - Cândido Portinari - Óleo sobre madeira, não datado, década de 40.
Ali está ela,
sentada em meio aos concretos urbanos.
Ali está ela,
com sua roupa de domingo,
feitas dos variados recortes coloridos,
de vários tipos de tecido...
Ali está ela,
magra e faminta...
Abandonada, amargurada, desamada, excluída
Com seu triste olhar, a olhar a multidão
Que passa fingindo que não a vê...
Ali está ela,
sentada em meio aos concretos...
E ali continuará a viver a triste Endomingada.
(Fê_Notável)
SONHOS perdidos na imensidão de um luar
Na noite estrelada vejo meu velho desejo espalhar-se junto ao som da multidão que canta felicidade, sem, se quer perceber, que alguém morre por dentro...
Sonhos são como amigos que crescem conosco
E que, quando morrem levam consigo, um pedaço de nós.
Um pedaço de mim morreu naquela noite.
Na mesma noite em que os privilegiados – sim, eles são deveras privilegiados – sorriam e cantavam.
Meu sonho se perdeu num mar de tristeza...
Tentava lembrar que, apesar de tudo, o dia estava lindo, mas minh’ alma perdia um pedaço de si naquela noite.
Tentei ser forte e não chorar, mas estava me partindo em duas:
a parte que ficou agoniza a parte que se foi...
Pensei que estava tendo vertigens, que tudo fosse um pesadelo,
mas não, eu não estava dormindo...
Oh, não... não...
(Fê_Notável)
Heroína
(Renato Russo/Ércole Fortuna/Flavio Lemos/ Fê Lemos)
Eu não quero mais viver
Eu não quero mais viver
Eu não quero mais viver
Eu não quero mais viver
Eu quero ser um vegetal
Eu quero ser um vegetal
Eu quero ser um vegetal
Eu quero ser um vegetal
Nada
Não sinto nada
Não tenho nada
Não faço nada
Eu quero ser um vegetal
Cortar meus pulsos com uma gilete
Eu quero uma faca,
faca, faca, faca, faca
Tomar comprimidos pra dormir
E não acordar
Nada
Não vejo nada
Não ouço nada
Não espero nada
Eu não quero mais viver
Eu quero ser um vegetal
Nada
Não sinto nada
Não tenho nada
Não faço nada
Nada
Não quero nada
Não vejo nada
Nada
Não quero nada
Nada a dizer
Nada a beber
Nada a comer
Nada a sentir
Nada a definir
Nada a omitir
Nada a pensar
Nada a odiar
Nada a amar
Nada a desejar
Nada a ter esperança
Nada...
(Fê_Notável)
XII
Yo soy el nuevo, el oscuro,
soy de nuevo el radiante:
he venido tal vez a relucir,
quiero el espacio ígneo
sin pasado, el destello,
la oceanía, la piedra y el
viento para tocar y ver, para
construir de nuevo,
para solicitar de rodillas
la castidad del sol,
para cavas con mis pobres
manos sagrientas el destino.
(La Isla – Pablo Neruda)
Felicidade
Feliz cidade
Feliz idade
Feliz identidade
Feliz mocidade
Feliz densidade
Feliz capacidade
Feliz humanidade
Feliz cidade
Felicidade!!!
(Fê_Notável)
“QUAL é o propósito da minha existência?
Por que certas coisas acontecem...
Por que não entendemos as causas da vida?
Qual é o caminho a seguir?
A vida muitas vezes nos deixa sem respostas.
A falta de contestação que nos corrói neste momento;
Que nos deixa confuso, muitas vezes fraco e indefeso
Pode demorar dias, meses e anos para se esclarecer
Ou, numa fração de segundos, dar a luz a um enigma de uma vida...
O por quê pode ser o começo de um problema
O meio de uma dor
Ou um fim trágico com uma desilusão;
Mas, para aquele que crê
o por quê pode ser apenas uma causa para ter esperança”.
(Fê_Notável)