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Para que me ouças
Escondo-me entre as palavras
Monto rimas, faço versos
Que tu lês e rechaças
Para que me ouças
Transfiguro meu pranto em riso
Porém assim me martirizo
E tua felicidade não disfarças
Para que me ouças
Transformo meu grito em versos
Que se juntam a formar
poesias em silêncio.


Neste mundo
De forma esférica
Sinto-me
Redondamente,
infinita...

Ouvi um choro longínquo, refletido naquele espelho que me encarava.
Era o choro de alguém que não estava ali e não se identicava.
Olhei um longo olhar de emoção fracionada
E os segundos se atropelavam aos milésimos
chegando às suas improváveis frações
Quis sentir o descompasso daquele coração,
As letras que sairiam daquelas mãos,
As armaduras das palavras,
O desfocar dos pensamentos.
Tentei decifrar aquele eu tão refletido
e me peguei introspectivo
Sem entender a matéria
que preencheria aquela imagem
distorcida.
Não havia frustração nem dor,
Nem tristeza, nem alegria.
Ocupei-me novamente com o reflexo de choro
E percebi o espaço vazio
Que havia em meu peito
Desde que outro espelho trincou.
Na verdade eu me transbordei
De um espelho.
Para conhecer outros reflexos.
Agora, quem me conhece?
(Vicente Siqueira)